Resposta à Carta de uma Mãe
Posso ver por sua carta que a senhora é uma boa mãe e se aflige com o desenvolvimento de seu filho; deveria, porém, considerar as coisas por uma perspectiva mais simples. Pergunta-me, por exemplo: “O que é bom, e o que não é bom?”. Ora, a quem podem levar tais questões? Seja boa, e faça com que seu filho perceba que a senhora é boa; deste modo sua obrigação para com ele cumprir-se-á inteiramente, pois lhe terá dado a convicção imediata de que as pessoas têm de ser boas – e ele, então, por toda a vida, terá pela memória materna grande reverência. Tenha certeza de que não há muito mais que a senhora possa fazer por seu filho, além de armá-lo com a lembrança das boas qualidades dos pais – de seu amor à verdade, de sua retidão, da bondade de seu coração e de sua constante relutância diante da mentira.
Seu menino hoje está com oito anos. Mostre-lhe o Evangelho,
ensine-o a acreditar em Deus, e isto do modo mais ortodoxo possível. Eis um
sine qua non. A senhora não encontrará em parte alguma algo melhor do que o
Salvador, esteja certa.
Suponha que seu filho, aos dezesseis ou dezessete anos (após
o contato com colegas de escola corrompidos), dirija-se à senhora ou ao seu
esposo com a seguinte questão: “Por que eu devo te amar, e por que me dizes que
este é meu dever?”. Creia-me, nenhum conhecimento teórico poderá ajuda-la
então; a senhora não saberá o que responder. Por isso é que deve tentar viver
de tal modo, que jamais ocorra a seu filho fazer-lhe semelhante pergunta. É
verdade que na escola pontos de vista deste tipo talvez o seduzam, mas a senhora
com facilidade conseguirá separar o falso do verdadeiro; e, mesmo que venha a
se deparar com a infeliz pergunta, poderá respondê-la com um sorriso e seguir
tranquilamente fazendo seu melhor.
Seu objetivo de jamais desviar-se do caminho da verdade fará com que aqueles ao seu redor reflitam sobre si mesmos. Isto por si só é um grande feito. Assim se pode fazer muito por todos.
Fiodor Dostoiévski. In: E. C Mayne. Letters of Fyodor Michailivitch Dostoevsky to His Family and Friends, pp. 223-225. Tradução livre.
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