sexta-feira, 3 de abril de 2026

Eficiência sem Fadiga – Narciso Irala

 


. O ser humano possui quatro atividades vitais ou, dito de outro modo, quatro tipos de vidas:

1.       Vida Intelectiva: ligada à vida intelectual, tem na atenção sua principal faculdade;

2.       Vida Afetiva: a vida humana sem sentimentos e emoções seria monótona, triste e sem colorido;

3.       Vida Volitiva: Vontade como a “rainha” de nossas faculdades, que tem o poder de comandar a atenção;

4.       Vida Orgânica: fatores somáticos ou corporais que auxiliam a ter maior rendimento com menor fadiga.

. Como melhorar a concentração: Sensações Conscientes (pág. 192);

. Temas relativos à Oração:

·       Concentração (p. 30); Distração (46); Reflexão (p. 76); Memória (96).

·       Afetividade (p. 110); Método de oração afetiva (p. 113);

·       Vontade – como chegar ao “quero” eficaz na oração (p. 122);

·       Conselhos práticos para orar (p. 202);


O Ideal que dá Sentido a Vida

. Tenhamos um grande objetivo na vida, uma finalidade, um resultado nítido, claro e constantemente previsto.

. Que seja prático e realizável a todo instante; em outras palavras, que nos faça viver com unidade e plenitude o momento presente, pois nisto consiste a felicidade.

. Podemos definir o êxito como a realização progressiva de um ideal ou a consecução de um objetivo digno. O êxito pode ser:

·       Temporal: meramente humano, com satisfação passageira e limitada, quando só triunfamos nesta vida ou em empreendimentos temporais (Ideal temporal digno);

·       Transcendental: total, eterno, quando triunfamos na eternidade, onde todas as nobres aspirações do ser humano ficam satisfeitas (Ideal de santidade) – pág. 131 do livro Eficiência sem Fadiga, de Narciso Irala);

. Exercícios práticos que ajudam a encontrar o ideal

·       Responder a seguinte pergunta: O que somente eu, e ninguém mais, pode fazer? (Logoterapia de Viktor Frankl);

·       Imagine que tu estás morto e que um amigo teu conte a tua história de vida. O que tu gostarias que ele escrevesse sobre ti? (Necrológio - COF do Prof. Olavo de Carvalho)





Gênesis e Teogonia


Conteúdo baseado nas aulas do professor José Monir Nasser em seu programa Expedições pelo Mundo da Cultura:

PONTOS EM COMUM ENTRE AS OBRAS:

. Apesar de serem textos de tradições muito diferentes — o Gênesis pertencendo ao monoteísmo hebraico e a Teogonia à mitologia grega politeísta — ambas as obras apresentam diversos paralelos estruturais e temáticos:

. Explicam a origem do mundo (cosmogonia)

Ambos os textos buscam responder:

  • De onde veio o universo?
  • Como surgiram a ordem, a terra, o céu e todos os seres?

Tema

Gênesis

Teogonia

Ponto em comum

Origem do mundo

Criação por Deus

Nascimento a partir do Caos;

Explicação da cosmogonia

Ordem do cosmos

Organização em 6 dias

Genealogias divinas estruturam o cosmos

Construção de ordem

 

Humanidade

 

Criada por Deus

 

Criada por Prometeu;

 

Explicação das origens humanas

Mal e sofrimento

Desobediência (pecado)

Pandora, conflitos divinos;

Justificativa para o mal

Função cultural

Base do monoteísmo hebraico

Base da religião grega

Textos fundadores

 

. O que o Gênesis e a Teogonia nos ensinam?

·       O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, ou seja, tem consciência de sua existência que é composta de Matéria (Terra) e Espírito (Céu);

·       Após a Queda, o problema humano é como se faz para recuperar a Árvore da Vida? O que fazer para sair da Terra e ir em direção ao Céu?

·       Porque a missão existencial do ser humano é conquistar o Céu;

·       Sentido da Teogonia: o processo de rebelião da Terra (Matéria) contra o Céu (Espírito): Gaia (Terra) destrona Urano (Céu) através de Crono (Tempo) que assume o controle do cosmos;

·       A questão central ao ser humano é o tamanho de seu Horizonte de Consciência que deve ser sempre maior que a sua vida, ou seja, ter sempre em mente que o Homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (o norte do horizonte de consciência);

 

Análise Simbólica

. A simbologia é o que permite ver o que está além das aparências das coisas;

. Gênesis 1, 9-10 – Deus cria os elementos “titânicos” da natureza;

. Cap. 2, 2 – O descanso de Deus no sétimo dia equivale, na Teogonia, à castração de Urano por seu filho Crono;

. Os quatro rios do paraíso equivalem aos 4 pontos cardeais que representam ao conjunto de possibilidades de ação humana no espaço;

 

 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Um Livro Indispensável sobre Cinema

 

Poucas obras me impactaram tanto quanto a magnífica A Conversão do Olhar – A Origem Católica do Cinema Moderno, de Rômulo Cyríaco. O autor expõe a raiz espiritual católica, juntamente com a filosofia fenomenológica, do Cinema Moderno em sua gênese no movimento Neorrealista Italiano. Trata-se de livro obrigatório, e extremamente corajoso, que escancara a matriz espiritual da Sétima Arte através da Trindade Católica: Rossellini, Bresson e Bazin.

Roberto Rossellini foi o grande fundador do Cinema Moderno com o seminal Roma: Cidade Aberta (1945), inaugurando o Neorrealismo Italiano do pós-guerra. O impacto de seus filmes foi tão grande que forjou uma nova maneira de fazer cinema influenciando diversos cineastas, dentre os quais se destacam Vittorio De Sica, com Ladrões de Bicicleta (1948), e Luchino Visconti, com A Terra Treme (1948) consolidando uma nova escola cinematográfica. Rossellini inovou na busca genuína da Verdade (com v maiúsculo) das imagens captadas em seus filmes que, segundo André Bazin, “ele só encena fatos”.

Já o francês Robert Bresson é considerado por Cyríaco como o continuador direto do legado cinematográfico inaugurado por Rossellini. Revelando “uma segunda via estilística possível do cinema moderno”, Bresson entrega verdadeiras preciosidades: Um Condenado à Morte Escapou (1956); O Batedor de Carteiras (1959) e A Grande Testemunha (1966). Segundo Jean-Luc Godard, “Bresson é o cinema francês assim como Dostoievski é a literatura russa e Mozart é a música alemã”.

André Bazin, outro francês, considerado o maior crítico da história do cinema, foi responsável pela base teórica do movimento iniciado por Rossellini. Suas críticas alçaram o Cinema como área digna de estudo sério, lançando os fundamentos filosóficos da Sétima Arte. Segundo Dudley Andrew, “Bazin foi frequentemente descrito como o Aristóteles do cinema, porque foi o primeiro a tentar formular princípios gerais em todos os setores desse campo inexplorado”.

Essa Trindade Católica do cinema moderno, pois todos eles eram católicos, criaram uma nova forma de pensar, criar e fazer filmes. O livro de Rômulo Cyríaco é como um oásis no deserto da biografia cinematográfica brasileira, ainda limitada a análises ideológicas que empobrecem a discussão e, sobretudo, a compreensão sobre Cinema.

 

sábado, 8 de novembro de 2025

Dostoiévski Ensina a Educar os Filhos

 


Resposta à Carta de uma Mãe

Posso ver por sua carta que a senhora é uma boa mãe e se aflige com o desenvolvimento de seu filho; deveria, porém, considerar as coisas por uma perspectiva mais simples. Pergunta-me, por exemplo: “O que é bom, e o que não é bom?”. Ora, a quem podem levar tais questões? Seja boa, e faça com que seu filho perceba que a senhora é boa; deste modo sua obrigação para com ele cumprir-se-á inteiramente, pois lhe terá dado a convicção imediata de que as pessoas têm de ser boas – e ele, então, por toda a vida, terá pela memória materna grande reverência. Tenha certeza de que não há muito mais que a senhora possa fazer por seu filho, além de armá-lo com a lembrança das boas qualidades dos pais – de seu amor à verdade, de sua retidão, da bondade de seu coração e de sua constante relutância diante da mentira.

Seu menino hoje está com oito anos. Mostre-lhe o Evangelho, ensine-o a acreditar em Deus, e isto do modo mais ortodoxo possível. Eis um sine qua non. A senhora não encontrará em parte alguma algo melhor do que o Salvador, esteja certa.

Suponha que seu filho, aos dezesseis ou dezessete anos (após o contato com colegas de escola corrompidos), dirija-se à senhora ou ao seu esposo com a seguinte questão: “Por que eu devo te amar, e por que me dizes que este é meu dever?”. Creia-me, nenhum conhecimento teórico poderá ajuda-la então; a senhora não saberá o que responder. Por isso é que deve tentar viver de tal modo, que jamais ocorra a seu filho fazer-lhe semelhante pergunta. É verdade que na escola pontos de vista deste tipo talvez o seduzam, mas a senhora com facilidade conseguirá separar o falso do verdadeiro; e, mesmo que venha a se deparar com a infeliz pergunta, poderá respondê-la com um sorriso e seguir tranquilamente fazendo seu melhor.

Seu objetivo de jamais desviar-se do caminho da verdade fará com que aqueles ao seu redor reflitam sobre si mesmos. Isto por si só é um grande feito. Assim se pode fazer muito por todos.

Fiodor Dostoiévski. In: E. C Mayne. Letters of Fyodor Michailivitch Dostoevsky to His Family and Friends, pp. 223-225. Tradução livre.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Finalmente, Entendi a Providência Divina



 Uma de minhas últimas leituras foi O Conde de Monte Cristo, obra-prima absoluta de Alexandre Dumas. A trama lida com as desventuras de Edmond Dantes que, tragado por uma espiral de injustiças, decide restabelecer a ordem se colocando no lugar da Providência Divina. O que Edmond não percebe é sua confusão interior ao tomar vingança por justiça e, pior ainda, querer se colocar no lugar de Deus. No final, Dantes consegue a tão sonhada redenção através do caminho que o leva à misericórdia e ao amor. 

Outra obra que me fez entender melhor a Providência Divina foi O Grande Teatro do Mundo, de Calderón de la Barca, um dos expoentes máximos do Século de Ouro espanhol. Trata-se de uma trama em torno da alegoria do mundo como teatro, sendo Deus o Autor que organizou o cenário e distribuiu os diferentes papéis entre os homens. Ao contemplar os comportamentos humanos diante das mais variadas circunstâncias da vida, o Autor afirma:

Eu bem poderia corrigir|os erros que estou vendo;|mas para isso lhes dei|arbítrio superior|às paixões humanas,|para não prová-los da ação |de meecer com suas obras;|e assim deixo todos eles|representarem livremente os sus papéis |e naquela confusão |onde atuam todos juntos|vou olhando cada um,|dizendo-lhes minha lei:|Agir bem, pois Deus é Deus.


Corresponder o melhor possível ao papel escolhido por Deus para mim é o que me cabe neste teatro real que é a nossa vida. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Mestre da Descrição

 


Na obra seminal Flor do Lácio, Cleófano de Oliveira define DESCRIÇÃO como “uma sequência de análises de linhas, formas, aspectos, cor ou relevo, reproduzindo artisticamente a natureza exterior, de modo que possa ser visualizada, compreendida apreciada pelo leitor (...). É fazer ver e sentir”.

Se você ainda não se deu conta de como isso é difícil de fazer, tente descrever um parafuso ou um palito de fósforo e, certamente, verás o tamanho do desafio. Se é complicado descrever um simples objeto sem vida, uma coisa, o que dizer de imagens em movimento?

Do pouco repertório literário que tenho, uma passagem descritiva reverbera em mim de modo que não posso interromper seus ecos. Trata-se do seguinte trecho de A Mulher de Trinta Anos, de Balzac:


Imediatamente, os tambores rufaram em continência, as duas orquestras começaram por uma frase cuja expressão guerreira foi repetida em todos os instrumentos, desde a mais suave das flautas até o grande tambor. A esse belicoso apelo, as almas estremeceram, as bandeiras saudaram, os soldados apresentaram armas com um movimento unânime e regular que agitou as espingardas da primeira à última fila no Carrousel. 
Ordens de comando irromperam de fila em fila como ecos. Gritos de “Viva o imperador!” foram soltos pela multidão entusiasmada. Tudo enfim fremiu, mexeu, abalou.
Napoleão vinha montado a cavalo. Esse movimento imprimira vida a essas massas silenciosas, dera voz aos instrumentos, arrojo às águias e às bandeiras, emoção a todos os semblantes. Os muros das altas galerias do velho palácio pareciam clamar também: “Viva o imperador!”. Não foi algo de humano, foi uma magia; um simulacro do poder divino, ou melhor, uma fugitiva imagem desse reinado tão fugitivo. O homem rodeado de tanto amor, entusiasmo, dedicação, votos de felicidade, para quem o sol dissipara as nuvens do céu, ficou no cavalo a três passos adiante do pequeno esquadrão dourado que o acompanhava, tendo o grande marechal à sua esquerda e o marechal de serviço à sua direita. No seio de tantas emoções excitadas por ele, nenhum traço de seu semblante pareceu comover-se.


Após a leitura, finalmente pude entender o fascínio causado por Napoleão nas mentes e, sobretudo, nos corações dos franceses. Imediatamente me veio à mente o famoso quadro Bonaparte cruzando os Alpes, de Jacques-Louis David. Balzac nos faz contemplar a cena como se fossemos testemunhas. 


domingo, 31 de agosto de 2025

O Talento Natural no Xadrez

 


José Raul Capablanca foi o jogador dotado de maior talento natural da história do xadrez. Foi invencível durante grande parte da sua carreira graças à perfeição de sua técnica. Analisando suas partidas, parece que o xadrez é simples e que a lógica, em seu estado mais puro, resolve qualquer problema. Só outro verdadeiro gênio como Alekhine soube encontrar suas debilidades e demonstrar que ninguém é infalível no xadrez.

Capablanca aprendeu a jogar vendo seus pais, com quatro anos. Durante oito anos não perdeu uma só partida - em toda a sua carreira só perdeu 36 jogos de campeonato. Diz-se que Capablanca era para o xadrez o que Mozart era para a música. O lendário cubano sagrou-se campeão mundial em 1921, após vencer Lasker em Havana, mantendo a coroa do xadrez até 1927 quando foi derrotado por Alekhine. Capablanca jogava com simplicidade, lógica e muita rapidez de cálculo. Possuía uma visão de jogo perfeita. Evitava as complicações, embora possuísse grande domínio tático. Suas principais debilidades era o excesso de confiança em si mesmo além de ser pouco lutador. 

O Jovem Capablanca


Capablanca tinha só 4 anos quando corrigiu seu pai em uma das habituais partidas que jogava em sua casa. Sem que ninguém lhe houvesse ensinado o movimento das peças, aprendendo apenas olhando os outros jogarem. O mais incrível é que, na primeira partida que disputou com o pai, o derrotou para surpresa de todos os presentes.

Além disso, sendo apenas um menino, venceu Corzo e foi considerado o campeão de Cuba. O jovem Capablanca visitou uma pequena cidade cubana onde seu pai tinha negócios. Pela tarde entrou em um cassino onde se jogava xadrez. O campeão daquela localidade perguntou se sabia jogar xadrez, e Capablanca respondeu que sim e que gostaria de jogar com ele. O veterano jogador local lhe ofereceu um cavalo de vantagem (prática habitual na época), que Capablanca aceitou humildemente. A partida foi ganha por Capablanca com grande facilidade. Então, voltaram a jogar com forças iguais, e o jovem Capablanca ganhou novamente com autoridade. O veterano jogador local ficou estupefato e lhe perguntou o nome. Ao reconhecê-lo como campeão cubano, disse:

- Nunca imaginaria que um menino pudesse jogar tão bem.

Anos após, quando Capablanca se tornou campeão mundial, o veterano entrou no cassino gritando entusiasmado:

- Capablanca foi proclamado o melhor jogador do mundo, e eu joguei com ele e até lhe dei um cavalo de vantagem!
 
(Texto retirado do livro O Xadrez dos Grandes Mestres, de Antonio López Manzano e José Monedero González)






Eficiência sem Fadiga – Narciso Irala

  . O ser humano possui quatro atividades vitais ou, dito de outro modo, quatro tipos de vidas: 1.        Vida Intelectiva: ligada à vid...