Dia 28, sexta-feira
. Mais uma madrugada voraz. Recomecei meu relato, minhas inquietações ardorosas, de antigos mistérios do meu passado.
. Busquei alento no passado à minha alma desesperada. Quanta esperança e pretensão em buscar lá atrás o que se espera no porvir.
. O temo é uma esfinge sofisticada: só o que temos é o agora espremido pelo que se foi e o que será. Vivemos num eterno "já".
. Pergunto ao tempoe ele me responde: Eternidade! Eis o supremo desafio de perceber o que não passa no meio das coisas que passam.
. Um aborrecimento trivial é suficiente para iniciar certa tensão libertadora: Tensão - Inquietação - Libertação.
Dia 30, sábado
. Senhor Jesus, livrai-me de mim mesmo. Sou apenas um homem que vê sem comprender. Sei apenas que existo: algo há, dizia Mario Ferreira.
. Olho para dentro de mim e confundo mente e consciência. A mente é muito pequena para a consciência.
. Os pensamentos vêm soltos e, quando entrelaçados estão, se dissolvem. Mas esses pensamentos deixam rastros em mim, caminhos que facilitarão minhas incursões para minha alma. O que encontrei por lá não sei.