Ficha Técnica:
Título Original: Scent of a woman - Título da tradução brasileira: Perfume de Mulher - Gênero: Drama - Ano: 1992 - Estúdio: Universal Pictures - Direção: Martin Brest - Atores Principais: Al Pacino, Chris O’Donnell e Phillip Seymour Hoffman - Tempo de Duração: 156 minutos.
Frank Slade (Al Pacino), um tenente-coronel cego, viaja para Nova York com Charlie Simms (Chris O’Donnell), um jovem acompanhante, com quem resolve ter um final de semana inesquecível e em grande estilo antes de morrer. Porém, na viagem, ele começa a se interessar pelos problemas do jovem, esquecendo um pouco sua amarga infelicidade.
O clássico longa, que rendeu o único Oscar a Al Pacino, mantém a mesma estrutura do romance de formação em literatura onde as personagens passam por intensa transformação pessoal através de suas jornadas. O experiente Frank Slade é movido por rancores e mágoas de uma vida sem reflexão, enquanto o jovem Charlie Simms é movido por um forte senso de integridade moral. A tensão entre as duas personalidades gera o amadurecimento de ambos os personagens.
Apenas quando Frank se importa com o bem-estar de Charlie é que consegue esquecer-se de si. Ao se abrir ao outro, Frank toma consciência de suas misérias. Dito de outro modo, Frank alcança a Tese 7 da Pessoa Humana: a autotranscendência, ou seja, se realiza indo além de si mesmo através do amor, e respeito, ao jovem pupilo Charlie Simms. Mas ele só conseguiu chegar aí após reconhecer a Tese 3 (Dimensão espiritual como Núcleo da Pessoa) o que fica evidente no comovente trecho de seu discurso:
“Tive muitas experiências. Houve época em que podia ver e vi garotos como estes, até mais jovens que estes, com os braços arrancados, as pernas esmagadas. Mas nada é mais triste que ter o espírito amputado. Para isso não há prótese.”
Ao reconhecer a Tese 3, Frank também alcança as Teses 4 (Liberdade) e 5 (Responsabilidade) quando diz:
“Cheguei à encruzilhada da minha vida. Sempre soube qual era o caminho que deveria seguir. Sem exceção, eu sabia. Mas nunca o segui. Sabem por quê? Porque era difícil demais.”
Frank reconhece que sempre teve liberdade para escolher como agir, ao mesmo tempo que assume a responsabilidade por suas decisões equivocadas. Apenas quando percorre o trajeto de autoconsciência através das Teses mencionadas, Frank contempla um sentido para sua existência.
Diante de um ser humano maduro, cuja confissão sincera nos revela melhor aspectos de nós mesmos, só o que temos a fazer é ouvi-lo com atenção. Os aplausos vêm depois, não como mera expressão hipócrita, mas como honrada homenagem a essa alma que se desnuda. Poucas cenas retratam o peso do que foi descrito acima como a sequência do discurso de Frank Slade no final do filme. A atuação visceral de Pacino é o “tour de force” que nos lembra que a sinceridade de coração tem o poder de hipnotizar toda uma platéia de jovens sedentos pela verdade revelada nas palavras de um velho cego amargurado.