quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Logoterapia em Cena #1

 Forrest Gump - o contador de histórias (1994)


Aquele que sabe amar

Dirigido por Robert Zemeckis, Forrest Gump - O Contador de Histórias nos brinda com um belo exemplo das definições de amor dadas por Viktor Frankl. O longa conta a trajetória de vida do protagonista homônimo que em muito se parece com o Princípe Michkin,  personagem  do livro O Idiota, de Dostoievski. Ambos são criaturas inocentes tentando viver num mundo corrompido. Forrest aproveita ao máximo as oportunidades de valor oferecidas pelas circunstâncias. Teve uma vida plena porque voltada para o outro e não fechada em si mesma.

Com sua simplicidade e coragem, Forrest Gump não se deixa vencer pelas dificuldades, físicas e psicológicas, cumprindo suas obrigações com o máximo de empenho, indo sempre além das expectativas, fazendo o bem e impactando a vida de todos ao seu redor. Bem sucedido em tudo o que faz, Gump inspira as pessoas nos mais diferentes aspectos existenciais: de astro do futebol, passando por herói de guerra e celebridade nacional, até capitão de barco. 

Mas dentre todos os feitos de Forrest o mais importante foi o seu amor por Jenny, sua fiel companheira dos tempos de escola. O amor perpassa toda a trajetória de Forrest em seu relacionamento com Jenny. Desde o primeiro olhar, Forrest percebe o amor enquanto feitiço que, segundo Frankl, mergulha aquele que ama “numa nova valiosidade”, ou seja, “o cosmo inteiro torna-se para ele mais vasto e mais profundo na sua valiosidade”. Essa percepção fica clara quando Forrest relembra o dia em que conheceu Jenny: “Nunca tinha visto nada mais lindo em toda a minha vida. Ela parecia um anjo”. 

Forrest captou a pessoa espiritual de Jenny desde o primeiro momento que a viu e, por isso, a amou independente das circunstâncias. É o “homem profundo” que, segundo Frankl, vê a superfície da pessoa amada como mera expressão da profundidade da pessoa espiritual. O amor de Forrest salva Jenny de viver uma vida totalmente banal, de não deixar sementes, duradouras marcas de si no mundo. Já no fim de sua vida, Jenny é agraciada com um filho de Forrest que sempre manteve-se fiel a seu amor por ela, esperando-a com paciência.

Temos o momento do amor enquanto milagre quando, segundo Frankl, “uma pessoa nova entra na vida” dos amantes. Essa novidade coroa a existência de Forest porque era a única realização que lhe faltava para tornar sua vida plena: a graça de ser pai. Desse modo, Jenny retribui o amor de Forrest dando-lhe a maior dádiva possível a um ser humano: um filho gerado pelo amor genuíno de dois seres que se amam. Após pedir Jenny em casamento, Forrest diz a frase-chave que resume o filme:

Eu não sou inteligente, mas sei o que é o amor.


Bibliografia: 

FRANKL', Viktor. Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da Logoterapia e análise existencial / Viktor Frankl; Tradução de Alípio Maia de Castro - 6ª ed. - São Paulo: Quadrante, 2016.





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