domingo, 31 de agosto de 2025

O Talento Natural no Xadrez

 


José Raul Capablanca foi o jogador dotado de maior talento natural da história do xadrez. Foi invencível durante grande parte da sua carreira graças à perfeição de sua técnica. Analisando suas partidas, parece que o xadrez é simples e que a lógica, em seu estado mais puro, resolve qualquer problema. Só outro verdadeiro gênio como Alekhine soube encontrar suas debilidades e demonstrar que ninguém é infalível no xadrez.

Capablanca aprendeu a jogar vendo seus pais, com quatro anos. Durante oito anos não perdeu uma só partida - em toda a sua carreira só perdeu 36 jogos de campeonato. Diz-se que Capablanca era para o xadrez o que Mozart era para a música. O lendário cubano sagrou-se campeão mundial em 1921, após vencer Lasker em Havana, mantendo a coroa do xadrez até 1927 quando foi derrotado por Alekhine. Capablanca jogava com simplicidade, lógica e muita rapidez de cálculo. Possuía uma visão de jogo perfeita. Evitava as complicações, embora possuísse grande domínio tático. Suas principais debilidades era o excesso de confiança em si mesmo além de ser pouco lutador. 

O Jovem Capablanca


Capablanca tinha só 4 anos quando corrigiu seu pai em uma das habituais partidas que jogava em sua casa. Sem que ninguém lhe houvesse ensinado o movimento das peças, aprendendo apenas olhando os outros jogarem. O mais incrível é que, na primeira partida que disputou com o pai, o derrotou para surpresa de todos os presentes.

Além disso, sendo apenas um menino, venceu Corzo e foi considerado o campeão de Cuba. O jovem Capablanca visitou uma pequena cidade cubana onde seu pai tinha negócios. Pela tarde entrou em um cassino onde se jogava xadrez. O campeão daquela localidade perguntou se sabia jogar xadrez, e Capablanca respondeu que sim e que gostaria de jogar com ele. O veterano jogador local lhe ofereceu um cavalo de vantagem (prática habitual na época), que Capablanca aceitou humildemente. A partida foi ganha por Capablanca com grande facilidade. Então, voltaram a jogar com forças iguais, e o jovem Capablanca ganhou novamente com autoridade. O veterano jogador local ficou estupefato e lhe perguntou o nome. Ao reconhecê-lo como campeão cubano, disse:

- Nunca imaginaria que um menino pudesse jogar tão bem.

Anos após, quando Capablanca se tornou campeão mundial, o veterano entrou no cassino gritando entusiasmado:

- Capablanca foi proclamado o melhor jogador do mundo, e eu joguei com ele e até lhe dei um cavalo de vantagem!
 
(Texto retirado do livro O Xadrez dos Grandes Mestres, de Antonio López Manzano e José Monedero González)






segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Coração Valente (Braveheart, 1995)

 

O Triunfo do Espírito 

Ao ganhar o grande prêmio do Oscar de melhor filme, em 1996, Coração Valente resgatou a tradição dos grandes épicos feitos por Hollywood nos anos 50 e 60, transformando seu diretor, Mel Gibson – também vencedor do Oscar de Melhor Diretor – numa das principais figuras criativas do cinema americano. O filme é notável tanto pelo fundo épico, quase mítico, quanto pela força do roteiro e da atuação de Mel Gibson. Olhando em retrospecto, a forma como a história de William Wallace é contada seria impensável nos dias atuais, muito por conta do peso simbólico das personagens.

O filme começa em tom mitológico: por entre névoas, surge o título do filme. As Highlands - região montanhosa da Escócia - aparecem quase como a origem do cosmos: a câmera paira sobre a terra como o Espírito pairava sobre as águas no início da Criação. Essa dinâmica de contemplação permanece por todo o filme, reforçada pela clássica trilha sonora de James Horner.

Acompanhamos a luta do povo escocês, durante o século XIII, como pano de fundo em que se desenrola o destino de William Wallace (Mel Gibson). De plebeu pacato, cuja meta de vida era casar-se com a mulher amada, Wallace transforma-se em líder popular que comove o ânimo de seus compatriotas para muito além das simples reivindicações políticas e sociais: a liberdade do espírito em relação à matéria.

Numa das sequências mais memoráveis do longa, temos o discurso de Wallace aos seus reticentes companheiros de batalha:

"Eu sou William Wallace. E estou vendo um exército inteiro de meus compatriotas aqui desafiando a tirania. Vocês vieram lutar como homens livres e livres vocês são! O que vocês farão sem a liberdade? Vocês lutarão?"

A essa pergunta, um dos escoceses responde: "Não. Fugiremos e viveremos". O que vem a seguir é uma das partes altas do roteiro:

"Sim. Lutem e talvez morram. Corram, e viverão. Pelo menos por enquanto. E, morrendo em suas camas, daqui a muitos anos, estariam dispostos a negociar todos os dias daqui em diante por uma única chance, apenas por uma chance, de retornar aqui e dizer aos nossos inimigos que podem tirar nossas vidas, mas nunca tirarão nossa liberdade!"

Wallace evoca às consciências de seus conterrâneos a hierarquia das coisas: a visão da morte demonstra o peso real da existência. A luta pela liberdade política, quando confrontada à luz da morte, ganha novo significado. No final, Wallace escolhe manter-se fiel à sua jornada de liberdade espiritual quando se recusa a jurar lealdade ao Rei inglês.

O grito – “Liberdade!” – ressoa como a afirmação do espírito humano, o sopro divino que poder material algum pode vencer. Neste ponto, Wallace se equipara a Sócrates como um mártir que se sacrifica pela soberania do poder espiritual, interior, do ser humano frente à tirania política.  É o triunfo do Espírito sobre a Matéria, da Alma sobre o Corpo. A última batalha de Walace não foi física, mas espiritual, assim como é para todos nós.






sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Como teus filhos se lembrarão de ti?




 Ao ler a biografia de Santa Teresinha do Menino Jesus - A História de uma Alma -, uma passagem deixou profunda marca em mim:

"Encontrando aqui o nome de meu querido paizinho, veem-me naturalmente à memória algumas recordações bem divertidas. Quando ele voltava para casa, invariavelmente, eu corria à sua frente e me sentava numa de suas botas; então ele me levava a passear, quanto eu quisesse, pelos aposentos e pelo jardim. Sorrindo, mamãe dizia que ele fazia todas as minhas vontades: 'Que se há de fazer?', respondia ele. 'É a rainha!' Depois, tomava-me em seus braços, erguia-me bem alto, sentava-me em seu ombro, abraçava-me, fazendo-me toda espécie de carinhos. 

O maior presente que poderia ganhar como pai é que minhas filhas tenham lembranças tão singelas quanto as de Santa Terezinha.

Deus abençoe a todos os pais do Brasil. Santa Teresinha, rogai por nós!!!  

Um Livro Indispensável sobre Cinema

  Poucas obras me impactaram tanto quanto a magnífica A Conversão do Olhar – A Origem Católica do Cinema Moderno , de Rômulo Cyríaco . O aut...