José Raul Capablanca foi o jogador dotado de maior talento natural da história do xadrez. Foi invencível durante grande parte da sua carreira graças à perfeição de sua técnica. Analisando suas partidas, parece que o xadrez é simples e que a lógica, em seu estado mais puro, resolve qualquer problema. Só outro verdadeiro gênio como Alekhine soube encontrar suas debilidades e demonstrar que ninguém é infalível no xadrez.
Capablanca aprendeu a jogar vendo seus pais, com quatro anos. Durante oito anos não perdeu uma só partida - em toda a sua carreira só perdeu 36 jogos de campeonato. Diz-se que Capablanca era para o xadrez o que Mozart era para a música. O lendário cubano sagrou-se campeão mundial em 1921, após vencer Lasker em Havana, mantendo a coroa do xadrez até 1927 quando foi derrotado por Alekhine. Capablanca jogava com simplicidade, lógica e muita rapidez de cálculo. Possuía uma visão de jogo perfeita. Evitava as complicações, embora possuísse grande domínio tático. Suas principais debilidades era o excesso de confiança em si mesmo além de ser pouco lutador.
O Jovem Capablanca
Capablanca tinha só 4 anos quando corrigiu seu pai em uma das habituais partidas que jogava em sua casa. Sem que ninguém lhe houvesse ensinado o movimento das peças, aprendendo apenas olhando os outros jogarem. O mais incrível é que, na primeira partida que disputou com o pai, o derrotou para surpresa de todos os presentes.
Além disso, sendo apenas um menino, venceu Corzo e foi considerado o campeão de Cuba. O jovem Capablanca visitou uma pequena cidade cubana onde seu pai tinha negócios. Pela tarde entrou em um cassino onde se jogava xadrez. O campeão daquela localidade perguntou se sabia jogar xadrez, e Capablanca respondeu que sim e que gostaria de jogar com ele. O veterano jogador local lhe ofereceu um cavalo de vantagem (prática habitual na época), que Capablanca aceitou humildemente. A partida foi ganha por Capablanca com grande facilidade. Então, voltaram a jogar com forças iguais, e o jovem Capablanca ganhou novamente com autoridade. O veterano jogador local ficou estupefato e lhe perguntou o nome. Ao reconhecê-lo como campeão cubano, disse:
- Nunca imaginaria que um menino pudesse jogar tão bem.
Anos após, quando Capablanca se tornou campeão mundial, o veterano entrou no cassino gritando entusiasmado:
- Capablanca foi proclamado o melhor jogador do mundo, e eu joguei com ele e até lhe dei um cavalo de vantagem!
(Texto retirado do livro O Xadrez dos Grandes Mestres, de Antonio López Manzano e José Monedero González)
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